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sábado, 4 de julho de 2009

Humilha-te

Certa noite, estava muito doente, com uma febre muito alta. Como eu era bem criança, acreditava que meus pais pudessem resolver tudo! Acreditava que eles dariam um jeito de me curar. Minha mãe dizia-me: “Filha, não se preocupe! Eu lhe darei alguns banhos gelados e logo você ficará boa!”. Na tentativa de abaixar a febre, minha mãe me deu vários banhos gelados, mas não conseguiu resolver meu problema. A febre só aumentava e eu, crendo fortemente que meus pais me curariam, olhava atentamente para eles, esperando que deles viesse a cura.

Minha mãe, já preocupada com aquela situação, sentou-se ao meu lado e disse-me: “Elen, já é tarde da noite, as farmácias estão fechadas e o hospital é longe demais para que a levemos até lá a essa hora. Filhinha, a mamãe já não pode ajudá-la, mas eu sei que você pode!”. Meus olhinhos brilharam e eu tentei imaginar o que é que eu, apenas uma criança doente, poderia fazer para resolver algo que nem meus pais estavam conseguindo. “Faça Papai do céu”, foi o que ouvi saindo da boca de minha mãe. Ela estava olhando fixamente para os meus olhos quando completou: “Só Deus pode curá-la”.

Naquele instante, ela fechou a porta do meu quarto, eu me ajoelhei em frente à cama e fiz a minha primeira oração. Certamente, não foi uma oração grandiosa, cheia de palavras bonitas, de frases bem feitas. Não, foi apenas uma oração de uma garotinha enferma. Foi uma oração sincera, um pedido de socorro! Ao me levantar eu já me sentia melhor. Deus havia me curado! Mais que isso, eu havia descoberto o amor de Deus!

Muito tempo se passou. Agora, já uma adolescente, em um sábado de maio de 1998, estava indo para um congresso evangelístico direcionado aos jovens, em Campos do Jordão, no estado de São Paulo. Eu acreditava que seria apenas mais um evento da igreja, onde conheceria pessoas novas e encontraria meus amigos.

Já na saída para a viagem, pude ver que todos estavam muito alegres e ansiosos para chegarem logo ao congresso. Eu também estava ansiosa, pois muitos já haviam me falado das belezas de Campos do Jordão, e eu queria logo conhecer a cidade. Mas, ao chegar a Campos do Jordão, tivemos cultos e mais cultos, e sobrou pouco tempo para passear pela cidade.

Durante um dos cultos, o pastor que estava pregando parecia dizer palavras bonitas de conforto, pois embora eu não estivesse prestando atenção ao que ele dizia, percebia que todos ao meu redor estavam emocionados.

Eu não conseguia entender que enquanto eu queria conversar, passear e me divertir, muitos estivessem tão felizes em ouvir um pastor falando. No fundo, eu sabia que não se tratava de apenas um pastor pregando, mas de Deus falando diretamente ao coração daquelas pessoas. Muitos estavam entregando o coração a Deus, e eu apenas queria que a pregação acabasse logo, para poder, finalmente, conhecer a cidade. Sentia algo no meu coração, uma espécie de chamado, mas não estava disposta a abandonar aquilo que me separava de Deus. Estava acostumada a ir para a igreja. Isso fazia parte do meu dia-a-dia, e não imaginava o que mais poderia fazer. Na realidade, eu não estava disposta a fazer nada.

O congresso acabou e fomos conhecer a cidade! Porém, eu sentia algo muito estranho. Estava rodeada de amigos, mas me sentia só. Uma tristeza muito grande tomou conta de mim e nada mais parecia ter sentido! Eu queria ir embora!

Quando voltamos para o ônibus e começamos a viagem de volta para casa, todos estavam felizes e cantavam bastante. Eu estava quieta, sentada, virada pra janela, olhando para o céu escuro e tentando entender o porquê de toda a minha angústia. Sentia-me decepcionada por não ter conseguido me divertir, e agora estava ficando irritada com aquelas músicas que cantavam ao meu redor. Virei-me para o lado e disse a uma amiga que eu não queria cantar, pois queria dormir.

“Mas com esse pessoal todo gritando no meu ouvido eu não vou conseguir dormir!”, foi o que pensei. Saí de meu lugar e andei até o fundo do ônibus. Sentei-me no penúltimo banco, mas não tive nem tempo de tentar dormir, pois logo ouvi uma amiga correndo lá da frente e gritando: “Gente, o ônibus perdeu o freio! Vamos orar!”.

Naquele instante, lembrei-me de toda a minha vida, como se estivesse diante de um filme. Pude visualizar tantos momentos em que senti Deus me protegendo! Tomei consciência do quanto eu havia endurecido meu coração, não deixando que Deus transformasse a minha vida. Enquanto isso, o ônibus descia a serra cada vez mais rápido, e eu podia sentir o vento frio e a angústia de quem não tem mais tempo. “O que vai acontecer comigo? Nos últimos dias eu só quis me divertir, enquanto muitos estavam entregando o coração a Deus, atendendo ao chamado dEle para que se deixassem ser transformados. O que eu posso fazer?” Uma lembrança veio à minha mente: “Faça Papai do Céu. Faça Papai do Céu!”. Do jeito que eu estava, fechei os meus olhos e orei: “Senhor, perdoe-me e me dê uma outra chance!” Em seguida, o ônibus capotou e uns dez minutos depois eu acordei. A primeira coisa que vi foi o céu, escuro, porém repleto de estrelas que brilhavam para mim. Respirei profundamente e agradeci a Deus pela vida!

Deus me deu uma nova chance. Ele deu mais uma chance para que eu escolhesse o caminho da felicidade. Ele tem planos para todos nós, e acredito que o ministério da música faça parte do plano de Deus para minha vida. Ele me direcionou para que em dois mil e quatro entrasse no Grupo Prisma. Hoje sou muito grata a Ele por poder cantar e mostrar para as pessoas o quanto Deus nos ama! Como é maravilhoso saber que Deus nos oferece perdão, se tão somente nos humilharmos e orarmos, e entregarmos o nosso coração a Ele.

Sabe, em nossa vida passamos por muitas situações que nos deixam tristes, desanimados e sem esperança. Chegamos até a pensar que estamos sozinhos e que Deus não existe, ou se existe, abandonou-nos. Achamos que Ele simplesmente fechou Seus olhos para o nosso sofrimento, e assim vamos vivendo dia após dia, com um grande vazio no peito, achando que simplesmente ir à igreja ou dizer que acreditamos em Deus é o suficiente. Mas Deus nos oferece muito mais! Ele nos convida a olharmos para o Céu e enxergarmos as estrelas!

Você pode até se perguntar: “que estrelas? Eu só vejo escuridão!” Saiba de uma coisa: quanto mais escuro o céu, mais o brilho das estrelas evidencia-se. Precisamos olhar para o Céu! Mesmo quando não entendemos o porquê de nossos sofrimentos, podemos olhar para o Céu e confiar que não importa o tamanho de nossa dor, a graça de Deus é maior e traz luz para a nossa vida. Se você está à procura de paz, conforto, esperança e cura, ajoelhe-se neste momento e faça “Papai do Céu”. Entregue seu coração a Deus, pois o Amor dEle é sem limites!

1 comentários:

gi.varga disse...

Elinha, sabe que essa sua história a cada vez que é contada eu me arrepio toda. Acho uma benção, um milagre, lindo mesmo!
Deus sabe das coisas, dos porquês... Ele sabe do que precisamos. Essa história é linda!
É muito bom ter esse blog onde você conta as suas próprias e não as dos outros, mas as suas histórias reais, verdadeiras, acontecidas.
Que Deus te use cada dia mais, te dando sabedoria para escrever, para usar, para cantar, ouvir e servir.

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