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domingo, 2 de agosto de 2009

Aprovado ou reprovado?

Tudo o que eu mais temia aconteceu. A professora me entregou o boletim das notas do semestre e disse: “Sinto muito, você repetiu de ano”. Eu não acreditei. Tomei o papel dela e conferi com meus próprios olhos. E foi então que constatei o que estava escrito em vermelho: Reprovado. Peguei minhas coisas e saí correndo da escola. Desci rua abaixo sem saber o que fazer. Chorava compulsivamente. Não achava justo o que estava acontecendo comigo. “O que iria dizer aos meus pais?”.

Minha família e eu mudamos de Fortaleza para São Paulo naquele ano. Foi uma mudança drástica em nossas vidas. O dinheiro era pouco e tínhamos poucos amigos. Passei por coisas horríveis na escola. Na hora do intervalo, eu ficava sempre sozinha, pelos cantos. Às vezes, eu me escondia dentro do banheiro até o final do intervalo. Naquela época, tudo o que eu mais queria era minha vida pacata com meus colegas e minha escola em Fortaleza. Cada dia que passava eu me tornava uma menina mais calada e triste.

Morávamos numa favela na região norte de São Paulo. No início, achava tudo aquilo uma grande aventura, até que percebi que o tempo foi passando e nada mudava. E como eu era muito pequena, não entendia porque estávamos passando por tudo isso. E naquele dia, enquanto corria chorando desesperadamente, pensava que isso não fazia sentido na minha vida. Acreditava que tudo era culpa dos meus pais, pois, se nós não tivéssemos saído de Fortaleza, nada disso teria acontecido. Chegando em casa, disse para minha mãe as piores palavras da minha vida: “mãe, fui reprovada de ano. Desculpe-me”.

Isso aconteceu quando eu tinha oito anos de idade. Já se passaram alguns anos e muita coisa mudou. No entanto, sempre que me lembro desta história, meu coração fica apertado. Não tenho muita experiência de vida e não sei de muitas coisas. Sou jovem e com muito chão pela frente. Mas pelo pouco que vivi, percebi que quase todos nós temos medo da reprovação. Estudamos a vida inteira para tornarmos profissionais de sucesso. Cultivamos amizades e relacionamentos para que durem para sempre. E, todos os dias, temos motivações diferentes para a vida. Assim, esperamos que nos aceitem como somos e que nos aprovem. Mas, às vezes, essa busca é tão exagerada, que, quando somos violentamente atingidos pela reprovação, ficamos tão frustrados que não conseguimos reagir. Passamos a desprezar a nós mesmos, forçando–nos a ser o que não somos. Ficamos presos em nosso mundo de alucinações e nada do que fazemos parece ter algum sentido. Tornamo-nos pessoas superficiais, tristes e frias por dentro. Perdemos a esperança e a cegueira toma conta de nós a ponto de ficarmos incapazes de enxergar qualquer saída.

Amigo, eu sei que é triste. Já passei por isso. Quando somos reprovados por alguém ou por qualquer coisa, ficamos realmente tristes e nessas horas, não tem quem entenda seu problema, por mais simples que ele seja. A reprovação dói, porque mexe com o nosso “eu”. Ficamos inseguros e duvidamos se o que fazemos é realmente bom. Então, nos escondemos e nos camuflamos para que ninguém nos descubra e nos reprove pelo que pensamos, acreditamos, valorizamos... Pelo que somos.

Porque temos tanto medo da reprovação? Ninguém é melhor que ninguém! Não importa nossos defeitos, Deus nos aceita como somos. O universo está em constante mutação e eu sei que não podemos parar, temos que seguir a vida dentro do ritmo. Mas Deus deve ser o nosso ponto de referência nisso tudo, pois ele é quem nos rege o compasso. É importante saber que acima de qualquer coisa, Deus sabe de tudo e Ele conhece nossos medos e anseios sobre a vida. Não importa se nesse mundo as pessoas nos rejeitam ou nos reprovam. Deus é maior e seu propósito é grande. Portanto, cuidemos para que não sejamos reprovados para segunda fase da vida, a vida eterna com Cristo.

2 comentários:

Alessandro Gruber disse...

O medo da reprovação somos educados a ter. Mas Deus não ensinou assim.
É incrível como o mundo tenta criar uma imagem de que temos que sentir medo de Deus.

Mas, Deus nos dá todas as ferramentas e a certeza da aprovação!

Sheila Regiane disse...

Ótimo texto!
A reprovação é sempre ruim, mas com o tempo é bom aprender que o mais importante é a nossa própria aprovação, além da divina, é claro. Com o tempo, a aprovação dos outros vai perdendo a importância.
E a divina, sem dúvida, é a melhor de todas!

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