Vencendo a Culpa
Há muito tempo atrás eu tive hipertrofia de adenóide. Esta doença me trouxe vários outros problemas de saúde ainda quando criança, como falta de apetite, má formação dentária, fortes dores de ouvido e ronco na hora de dormir. Conforme o tempo foi passando, meu ouvido piorava cada vez mais. Ele inflamava frequentemente e comecei a ter muitas dificuldades para ouvir. Minha família não tinha convênio médico e por isso, não fazíamos consultas médicas para este tipo de problema. O hospital da rede pública era muito ruim e somente usávamos em caso de muita urgência. Minha mãe tratava minha dor de ouvido com medicamentos e outras coisas, não sendo necessário consultar um médico.
Os anos se passaram. Terminei o colegial e comecei a faculdade. Consegui um estágio logo no primeiro mês de curso. O salário era pouco, mas tinha convênio médico. Então, marquei uma consulta com um otorrinolaringologista. Foi quando descobri que o meu problema de surdez era mais grave do que eu pensava. O médico disse que eu já estava lendo os lábios das pessoas para entender o que elas estavam falando. E realmente, no trabalho, mal conseguia ouvir as pessoas falando comigo ao telefone. Na sala de aula, tinha que sentar na primeira fila. Numa roda de amigos, perdia metade das conversas. E todas estas coisas me deixavam muito triste. Sentia como se eu estivesse dentro de um mundo só meu. Sem contar nas vezes em que fui motivo de chacota.
Na consulta, o médico verificou meus exames e disse que eu estava com um tumor no ouvido e que ele só poderia ser tirado com procedimento cirúrgico. E ele disse ainda que eu correria um sério risco de perder completamente a audição durante a cirurgia. O outro ouvido também tinha problema, mas que não tinha solução, tinha que usar aparelho auditivo.
Às vezes, a vida nos pega de surpresa. Um dia está tudo bem, no outro, quando menos esperamos, descobrimos que temos vários problemas que desafiam nossa fé. Naquele dia, meu corpo doeu como se alguém estivesse pisado em mim. Fiquei sem força...Frágil. Passei a noite inteira triste pois não queria que isto estivesse acontecendo comigo.
Aqueles que me conhecem sabem que eu sempre gostei de cantar. Comecei cedo. Cantei pela primeira vez no púlpito de uma igreja. Eu tinha três anos de idade quando cantei aquela musiquinha: "e quando eu estiver deste tamanho aqui, eu quero trabalhar com meu Jesus sem fim". Enquanto eu cantava, olhava para os meus pais e me animava quando via seus rostos de felicidade. Nunca parei de cantar. Mesmo com problemas de audição, eu ainda continuava aceitando os convites. Até que, certa vez, eu tive que parar de cantar no meio da música porque não estava conseguindo acompanhar o play-back. Eu pensava: "Meu Deus! Quando isto vai acabar?" Porque?" Tinha que ser comigo?". E eu orava todos os dias pedindo à Ele que me curasse desse mal, mas nada acontecia.
Na última noite antes da cirurgia, eu estava com muito medo. Com medo de ficar surda e nunca mais poder ouvir o som da natureza, das pessoas, dos pássaros, do vento... Peguei a bíblia na intenção de encontrar alguma resposta, quando Deus me disse: “Porque eu, o SENHOR, teu Deus, te tomo pela tua mão direita e te digo: não temas, que eu te ajudo. Isaías" 41:13. Naquele momento eu comecei a chorar, porque tinha entendido que não precisava de cura. Precisava de Deus e da sua presença na minha vida. Precisava de perdão. Ora, se Deus me perdoa e está comigo, não devo temer a morte. O perdão dEle me dá vida e cura qualquer ferida.
Em Marcos 5:25 a bíblia conta a história de uma mulher que sofria de hemorragia havia doze anos. Por muito tempo gastara seu dinheiro com muitos médicos e ninguém conseguira curá-la. Então, ouvindo falar de Jesus, foi até ele lhe tocou sua veste. Ela dizia: “Se tão-somente tocar suas vestes, sararei” E imediatamente ela foi curada. Aquela mulher viveu numa época em que as pessoas doentes eram rejeitadas porque acreditavam que elas eram pecadoras. Talvez ela tivesse passado muitos anos de sua vida, acreditando que realmente fosse uma pecadora e estava pagando pelos seus erros. Talvez, tudo que ela mais queria em sua vida, era ser perdoada para viver uma vida normal, sem desprezo e preconceito das pessoas. Penso que, naquele momento em que ela tocou as vestes de Jesus, ela tivesse sentido o perdão de Deus. A sua fé lhe trouxe o perdão, a cura.
Chegou a hora da minha cirurgia, antes do médico aplicar a anestesia, pedi à Deus que segurasse a minha mão direita para que eu não temesse a nada. A cirurgia demorou quatro horas. E o mais incrível aconteceu, assim que acordei, pude sentir uma melhora surpreendente. Durante a noite, eu fiquei ouvindo os sons da rua, dos carros, das sirenes... Chorei e agradeci à Deus por mais um milagre em minha vida. Por ter deixado que eu tocasse suas vestes. Por ter me perdoado.
Hoje, meu ouvido não é normal, mas é especial, pois tem o toque da mão de Deus. Continuo cantando à Deus como sempre fiz e não penso em parar.
Pois é, tem momentos em que buscamos à Deus para que nos cure de alguma enfermidade e Ele nos surpreende oferecendo o seu Perdão. É que quando somos perdoados, vencemos a culpa e nos libertamos da condição de pecadores para filhos de Deus. E se temos o perdão de Deus, a Sua graça, para quê nos preocupar com coisas terrenas? Deus nos oferece o Céu! E Ele promete que, não importa o que aconteça neste mundo, ele segura a nossa mão e nos diz “ não temas, que eu te ajudo”.

4 comentários:
NOssa Elinha, que lindo!
Gostei muito desse texto. Lembro-me de quando fui lhe visitar depois da cirurgia, foi emocionantes lhe ver vibrando ao ouvir os sons!
Muito lindo Seu testimunho que Deus siga te abencoando.....
Muito lindo Seu testimunho que Deus siga te abencoando.....
Muito lindo Seu testimunho que Deus siga te abencoando.....
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