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sexta-feira, 26 de março de 2010

Limpando a sujeira

Certa vez quando eu era criança, papai estava consertando a moto do vizinho na garagem de casa. Eu estava brincando com areia no quintal e, de vez em quando, ia para perto do meu pai para observá-lo trabalhar. Era muito interessante vê-lo desmontando uma moto. Ficava imaginando como ele conseguia guardar na cabeça o devido lugar de cada pecinha. Uma vez ele disse que tinha esquecido de encaixar um parafuzinho e que, por isso, teve que desmontar a moto novamente e começar tudo outra vez. E eu gostava de ficar ali, observando e, à vezes, ajudando.  

Como eu estava brincando com areia, papai me alertou para que eu tivesse cuidado de não jogar areia no motor. A limpeza de um destes, seja de qualquer máquina, é feita de forma bem minuciosa e delicada. Existem os produtos certos para isso e o maior inimigo de um motor (aberto) é a sujeira ou um grão de areia. Bom, imediatamente eu fui até o quintal, enchi minhas mãos de areia e joguei tudinho no motor, pois era isso que eu tinha entendido que era para eu fazer. Papai percebeu minha confusão e ficou desesperado ao ver a cena, mas não pôde fazer nada a não ser começar do zero a limpeza do motor. Ofereci a minha ajuda, já que eu tinha causado aquele estrago, mas papai disse que só ele poderia fazer este trabalho e que, desta vez, eu não poderia ajudar.

Engraçado não é? Mas pode ser exatamente assim que, algumas vezes, agimos com Deus. Brincamos com areia fora de casa, sem perceber que ela é suja. E, de vez em quando, vamos para perto de Deus para observá-lo mas não entendemos muitas coisas. Não entendemos Sua forma de agir, seu jeito de "trabalhar". E , embora achemos interessante o  Seu grande poder e Sua capacidade de consertar a vida das pessoas, voltamos logo em seguida ao quintal dos desejos, das vontades pecaminosas, dos prazeres vãos. Acredito que Deus percebe o perigo e nos alerta, mas estamos tão longe que não entendemos sua voz e fazemos totalmente o contrário do que ele quer que façamos.  

E são com as nossas próprias mãos que estragamos as nossas vidas. E quando nos damos conta do tamanho estrago, não há mais nada que possamos fazer. Sentimo-nos desencorajados a continuar. Pensamos em desistir de tudo por tantos fracassos, pela falta de crescimento espiritual que tanto almejamos e nunca alcançamos.

Mas Deus, com sua graça nos perdoa e, pacientemente, junta todos os pedacinhos do coração quebrado, limpa-os com muito amor, tirando toda areia suja e fortalecendo os parafusos que sustentam a nossa fé.

2 comentários:

Lízie disse...

ao vivo essa história é muito mais emocionante ;}

Fabio disse...

Penso num Deus que deixa a gente jogar areia pra gente mesmo ver como são as coisas. Num Deus que deixa errar pra você escolher o seu próprio caminho. O do conhecimento.;)
Lindo trabalho o seu!

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