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terça-feira, 2 de março de 2010

O Cristão de um e noventa e nove

Certo dia, quando eu era criança, mamãe chegou em casa muito feliz porque tinha comprado um tênis para mim. Ela me disse que viu ele à venda numa barraquinha, no centro da cidade, por um valor muito inferior ao vendido nas lojas de shopping. Fiquei muito impressionada quando mamãe tirou o tênis de dentro da caixa e disse: "Veja, filha, é igual ao original!". Até que logo meu entusiasmo acabou, pois o tênis não durou nem um mês. Esta foi a primeira e última vez que mamãe comprou um produto falsificado. Agora ela sabe que, embora seja caro, é muito melhor se sacrificar mais e comprar um produto original.

Em Lucas 18:9-14, Jesus conta a parábola do fariseu e o cobrador de impostos. Lemos que o fariseu chegou ao templo todo orgulhoso por seus feitos e, de pé, orou à Deus agradecendo por não ser avarento, nem desonesto, nem imoral como as pessoas e também porque não era como o cobrador de impostos. E lembrou à Deus do jejum que fazia duas vezes por semana e que dera o seu dízimo. Já o cobrador de impostos sentou bem de longe e de cabeça abaixada orava à Deus pedindo que tivesse pena dele por ser um pecador. Jesus disse que este homem, e não o outro, que voltou para casa em paz com Deus.

Aparentemente nós vemos aqui dois homens normais que vão à igreja orar, assim como eu e você. E na igreja é assim: dizemos que somos irmãos, filhos de um mesmo pai e com o mesmo desejo de encontrar o Salvador. Mas sempre julgamos uns aos outros, sendo que, na verdade, nunca saberemos quem é realmente falso ou verdadeiro na fé. Só Deus sabe e conhece o nosso coração. E por sermos cristãos, dizemos isso a várias pessoas, o que é muito natural que aconteça. Vamos à igreja, oramos, louvamos à Deus, devolvemos os dízimos... mas será que somos verdadeiros seguidores de Cristo, ou apenas réplicas baratas?

O mundo já está cheio de cristãos falsos. Eles estão por aí, em qualquer esquina ao preço de uma religião barata e sem nenhum valor. Parecem verdadeiros, mas não são. No entanto, com o tempo nós notamos a diferença, pois o que é falso dura pouco, ao passo que o verdadeiro cristianismo é caro, exige sacrifícios e entrega total. Tais coisas não são fáceis e muitas vezes pagamos um preço alto por isso.

E nós?  Qual é o nosso valor nas prateleiras deste mundo?

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